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Minha cor, meus cachos, minha resistência: o engajamento do Maria Cacheada

  • Foto do escritor: J7 Comunicação
    J7 Comunicação
  • 20 de mar. de 2019
  • 3 min de leitura

Atualizado: 22 de mar. de 2019


Uma problemática familiar que virou a solução de muitos jovens recifenses.




Considerando que no Brasil mais de 56% da população é negra, e que os cabelos cacheados são uma característica negra, há cerca de 6 anos atrás, metade dessa população alisava suas madeixas para “se embranquecer”. Em menos de 3 anos, a porcentagem da população que se considera negra tem crescido, e isso não só observamos em dados, enxergamos nas ruas também. Mulheres e homens com características negras tem se aceitado. Uma dessas aceitas é deixando seu cabelo natural e livre das químicas de alisamento.


Evidenciando a importância dessa ideologia, o salão Maria Cacheada, tem contribuído, no fortalecimento do empoderamento negro na Região Metropolitana do Recife. O Maria Cacheda tem como idealizador o comunicador, Allef Gonçalves. Ele, que é o filho mais velho de seis irmãos, sendo quatro meninas. Acabou criando o movimento ao ver tanto suas irmãs, como alguns de seus vizinhos sofrerem preconceito por serem negros e crespos. Como forma de resistência, Allef uniu forças e criou um salão no Vasco da Gama, bairro da zona norte, que tem o mesmo nome da ideologia.


Hoje em dia, o salão fica localizada em Casa Amarela, também na Zona Norte do Recife. Uma região próxima a várias comunidades simples, como Morro da Conceição, Vasco da Gama, Nova Descoberta e Alto José do Pinho. De preço acessível, seu público-alvo são meninas, meninos e senhoras, de idades variadas a partir dos 7. A grande maioria são da classe D e C. Bastante elogiado, o salão arrasta vários admiradores, inclusive, nas redes sociais onde estão com mais de 10 mil seguidores.


“O Salão Maria Cacheada é especializado para cabelos cacheados, com um foco maior para cabelos afro. Também trabalhamos com rodas de conversa, empoderando as cacheadas. O movimento social é feito dentro e fora do Maria”, explicou Allef Magalhães, CEO do Salão. Ele se inspira nas mulheres negras, entres elas suas irmãs são as que mais o encanta. “Elas têm um estilo próprio, isso surge como uma inspiração para mim e cliente,” contou.


" Também trabalhamos com rodas de conversa, empoderando as cacheadas."

Sobre a inspiração


Allef se inspira nas mulheres negras, entres elas suas irmãs são as que mais o encanta.

“Elas têm um estilo próprio, isso surge como uma inspiração para mim e para as minhas clientes,” contou.


Allef e a família, a sua grande inspiração.


Em conversa com uma das clientes do Maria Cacheada, Carolina Alves, estudante de jornalismo, fala da inspiração em acompanhar o salão desde o início e de ver as mulheres negras ocupando seu espaço no mundo. “Ver a Raissa ganhar aquele concurso depois de um jejum de 30 anos de uma Miss Brasil negra foi emocionante". Ela conta com grande alegria do brilho no olhar que teve ao ver as duas moças sendo coroadas. Ainda ressalta que o Miss Universo 2017 levou muita representatividade para as pessoas, fazendo com que muitas meninas negras começassem a se ver de forma diferente.



O engajamento do público com o Maria Cacheada


Através das redes sociais os serviços do salão divulgados, fazem parcerias com lojas, digitais influencers. Evidencia o poder da divulgação ser a base do que o salão conquistou hoje em dia, chegando a ter mais de 15 mil impressões nas postagem do instagram.


“O nosso contato com o público é muito direto, trabalhamos a empatia do cliente. O cliente vem pra cá, a gente bate o papo, ver o que é que ele precisa e oferecemos a ele o melhor serviço”, ressalta Allef.

A equipe promove encontros internos, onde é discutido e planejado como irão agir nas redes sociais. Já nos encontros externos, que geralmente são realizados em lugares amplos, elas abrem espaço para conversas com o público. Falando sobre suas lutas, e visões de mundo.

Um dos encontros do Maria Cacheada, realizado no Parque da Jaqueira.


Para a estudante de Letras, Aline Barbosa (20), que passou por uma transição capilar e hoje tem lindos cachos, esse movimento é de grande importância para a nossa sociedade. “É muito bom saber que o mundo está voltando o olhar para essa causa, é importante se sentir representado” diz a estudante. Ela fala que está muito orgulhosa da força e união do Maria Cacheada, e ainda complementa dizendo que o bom de tudo isso é você se sentir bem, sendo cacheada, ondulada, lisa ou alisada.


Allef ressalta que além do objetivo comercial, de vender os serviço para os cabelos, o maior objetivo do salão é o social, é o de empoderamento, de trazer essa identidade para pessoas que buscam se aceitar como são.


“A importância do Maria Cacheada é justamente empoderar as mulheres, com enfoque maior nas mulheres negras, passando mensagens positivas. Motivar as mulheres que os cabelos delas não é só estética é resistência”, enfatizou.

Ouça na integra a entrevista em: https://soundcloud.com/user-117793966/entrevista-com-allef-goncalves-maria-cacheada-online-audio-convertercom




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